Um Blog de dois erres, para todos os errantes.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que quer uma mulher?



Por Rosa Estrada
Engraçado. Já vi poeta por aí se fazer essa pergunta e tecer inúmeras metáforas e outras figuras de linguagem pseudo-inspiradas para apresentar como respostas. Bom, como sou mulher, e uma mulher bastante crítica,  atrevo-me a responder essa pergunta.

As mulheres se odeiam entre si. Não há como negar isso. É algo perceptível para homens e mulheres, mesmo que algumas delas não admitam. As mulheres alimentam uma feroz concorrência entre si e utilizam das armas que têm a fim de passar as outras para trás. Qual a razão disso? Simples. Vivemos numa sociedade em que tudo virou mercadoria. Inclusive os indivíduos. Comportando-se como mercadorias, as mulheres utilizam dos mais variados artifícios para se tornarem o mais atraentes possíveis aos homens e , assim, ter mais chances de conseguir um bom casamento. Sim, ainda hoje, no século XXI, isso é tudo o que as mulheres mais desejam: ter um homem para se encostar. Não importa cor, grau de instrução, religião ou condição social, o objetivo mor da vida da imensa maioria das mulheres é casar com um homem que possa sustentá-las e, se possível, levá-las para passear de carro, viajar e gastar o seu cartão de crédito.

Portanto, essa é a conduta que norteia a vida das mulheres. O amor? Ah, amor e quaisquer outros sentimentos são puras bobagens. Você não precisa amar seu marido, nem a si própria. Se por acaso ele se achar seu dono e quiser mandar em você, lhe dizer o que fazer, aonde ir e com quem se relacionar, releve. Ignore até mesmo se ele lhe der umas palmadinhas. Afinal, até que de vez em quando você merece mesmo umas regulagens. E depois, o que é isso diante do maravilhoso fato de o marido entregar nas suas mãos o seu ordenado do mês, para que você possa administrar o dinheiro como lhe aprouver? Nada. O que mais mais mulher pode querer? Com um bom homem do lado, não precisamos enfrentar a vida. Só ficar em casa, cuidando dos afazeres domésticos e conhecendo o mundo através do que o marido diz quando chega o trabalho, sem o risco incômodo de nos dispormos a conhecer a vida e vê-la com nossos próprios olhos. Ficamos protegidas como quando éramos crianças.

Mas lembremos que o autocomércio não é exclusividade das mulheres. Os homens também têm seu valor de mercado. Todos somos mercadorias, homens, mulheres, não importa. Se as mulheres se vendem pelo sexo, os homens se vendem por outros preços tão ou mais baixos, e por motivos tão ou mais vis.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

R.I.P. Ronnie James Dio




Por Rosa Estrada

Uso este espaço no Erres Errantes para prestar a minha homenagem póstuma a este grande artista. Ainda era criança, mas lembro muito bem da fita k7 que minha irmã tinha, que começava com um heavy metal contagiante, com um vocal poderoso. Demorei para descobrir que a música era intitulada "Holy Diver", e a voz era de um certo Ronnie James Dio. Muitos anos se passaram desde então e até hoje sinto um frio na barriga com aquela introdução atmosférica, minha pele se arrepia com os primeiros acordes, e meu coração dispara quando escuto a voz com o timbre único e belíssimo de Ronnie James. O que dizer então da ocasião em que escutei o disco Heaven and Hell, do Black Sabbath, pela primeira vez? Suei frio escutando "Children of the Sea", linda composição de Ronnie. Depois, eu continuaria me emocionando com "Self Portrait" e "Catch the rainbow" do Rainbow, "Sign of the Southern Cross" do Black Sabbath, "Rainbow in the dark" da sua carreira solo. Seja no Elf, no Rainbow, no Black Sabbath ou solo, Dio sempre foi fantástico como cantor e compositor. Não foi pretensioso da parte dele adotar esse nome artístico. Ronnie James é mesmo um DIO.




sexta-feira, 7 de maio de 2010

Homenagem ao Dia das Mães

Por Rosa Estrada


É insuportável ver os meios de comunicação de massa em suas hipócritas ovações às mães, agora que o tal dia das parideiras está próximo. Veja bem, não tenho nada contra as mães. Tem filho quem quer, cria quem pode. Mas o que me deixa indignada é a insistência da mídia em ressaltar o quanto é maravilhoso dar à luz, o quanto é incomensurável o amor materno, o quanto a mulher que ainda não pariu é incompleta, e outras pieguices e absurdos do gênero. Até aquela cantora do povão protagonizou uma propaganda dizendo que, quando teve seu filho, descobriu que foi para isso que ela existe enquanto fêmea. Entretanto, ninguém parece lembrar de todas as questões que envolvem os direitos reprodutivos da mulher no Brasil. O Dia das Mães vai passar, e o aborto vai continuar sendo um assunto varrido para debaixo do tapete. As mulheres continuarão sendo recriminadas por exercerem sua sexualidade, e as que optarem pelo aborto serão condenadas a recorrer a remédios ilegais, a clínicas clandestinas, sujeitas às penalidades da lei como se fossem psicopatas, como se a interrupção da gravidez fosse algo prazeroso e que não provocasse nenhum trauma. Aquelas que optarem por dar à luz permanecerão à mercê de um caótico sistema público de saúde, sem saber se elas e seus bebês voltarão vivos e inteiros dos hospitais-açougues. O machismo continuará reinando na sociedade, delegando exclusivamente à mulher a responsabilidade de criar os filhos, cuidar quando doentes, prepará-los para a vida, enquanto aos homens caberá no máximo inseminar e depois dar sessenta reais de pensão por mês. E assim caminha a humanidade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

And the winner is...



Por Rosa Estrada

Maktub!, bradou o alegre apresentador. Pois é, estava mesmo escrito, não poderia ser diferente. Numa edição do reality em que o objetivo era enfocar a diversidade sexual, vence o participante mais preconceituoso da casa, aquele que sempre deixava evidente o seu "orgulho hétero" e que ficava visivelmente incomodado com simples brincadeiras envolvendo o seu nome e o de um dos gays. Com o cinismo que lhe é peculiar, o público elegeu assim o mais novo milionário da praça, numa mensagem muito clara de que o homossexualismo no Brasil ainda é algo encarado com desprezo e extrema falta de respeito. Não chega a surpreender. Num país em que Tropa de Elite foi um filme de estrondoso sucesso, o povo não perdeu a oportunidade de aclamar a versão civil do Capitão Nascimento. Os brasileiros agora já têm um novo herói.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Eu botei São Jorge na Santa Ceia!












Por Rosa Estrada

Recentemente eu vi num jornal que, à medida que o tempo passa, os pintores fazem novas representações da Santa Ceia cada vez mais fartas, com mais comidas e bebidas. Eu fui lá e pintei uma garrafa de vinho São Jorge na mesa!

sábado, 6 de março de 2010

Como diria Gramsci...



Por Rosa Estrada

Frequentemente, ligo a TV e meu olhar treinado não deixa escapar o seu discurso, enquanto canal de propaganda da ideologia burguesa. No Brasil, a televisão exerce um papel formador de opinião em proporções tão amplas como talvez em nenhum outro lugar do mundo. Portanto, não é perda de tempo refletir sobre os estereótipos reproduzidos pelos programas de televisão no intuito de incutir em quem assiste valores que interessa a alguém que continuem sendo perpetuados e internalizados.
Vou começar minha breve análise pela novela do horário da dezenove horas, veiculada pela vênus platinada. Entre vários personagens, o que mais me chamou a atenção foi o de uma babá de pele clara que tem um filho adolescente, menor infrator. O curioso desse enredo é que o garoto é negro. O autor da novela achou por bem que o personagem fosse interpretado por um jovem ator de pele preta, num discurso silencioso mas prenhe de intenções. Ora, um rapaz negro não podia ser apenas um rapaz negro, como tantos que existem em nosso país? Não. A mensagem é: o negro possui a criminalidade inerente à sua cor, não importanto a maneira como vive nem como foi criado. O autor da novela parece ter feito questão de deixar isso tão claro que a mãe do garoto, uma mulher batalhadora, de bom caráter, é branca, enquanto seu filho infrator é negro. Fica a impressão de que o personagem só foi para o mundo do crime por ser ter a pele escura, como se fosse ele tivesse impulsos antiéticos intrínsecos ao seu fenótipo. Nina Rodrigues ficaria orgulhoso de ver suas ideias seguidas à risca ainda hoje, no século XXI. O que dizer então da novela do horário nobre? Não vou me estender muito sobre os absurdos desse folhetim, porque senão não haveria espaço para postar neste blog. Quero apenas mencionar uma personagem em especial, a garota negra, de boa família, que também não resiste aos seus impulsos e vai morar no morro, com o namorado bandido, também negro, of course. Essa personagem reforça os ideais de Nina, já apresentados na novela anterior, mas agora com mais destaque, para que fique suficientemente internalizado no telespectador. Isso para não mencionar a modelo rica e bem-sucedida, e negra, que se ajoelha no chão para ser esbofeteada pela fidalga branca. Aqui, a mensagem é: o negro tem que saber o seu lugar; negro metido que ousa circular na elite merece castigo! Como não existe mais o pelourinho (o instrumento de tortura, é claro), foram inventadas novas formas de punir o negro "que não sabe o seu lugar", para as quais a criatividade é inesgotável.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Black Sabbath - 40 anos!

Homenagem tardia aos 40 anos do primeirão do Black Sabbath.
Yeah!